A perda de cabelo é uma preocupação para muitas pessoas, e o mercado está repleto de suplementos nutricionais que alegam “fazer crescer o cabelo”.
No entanto, antes de considerar qualquer suplemento, é crucial estabelecer um princípio fundamental: **a grande maioria dos casos de queda de cabelo não é causada pela deficiência de um único nutriente**.
A suplementação cega não só desperdiça dinheiro, como também pode trazer riscos para a saúde. O texto a seguir, baseado em pesquisas científicas atuais, aborda a relação da queda de cabelo com a biotina, o zinco e a vitamina D.
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**Biotina (Vitamina B7)**
A biotina participa de processos como a síntese de ácidos graxos, o metabolismo de aminoácidos e a gliconeogênese, desempenhando um papel na saúde da pele, cabelos e unhas.
No entanto, **a deficiência verdadeira de biotina é extremamente rara**, podendo ocorrer apenas em pessoas que consomem grandes quantidades de clara de ovo crua (que contém avidina, uma proteína que se liga à biotina) ou em pacientes com certos distúrbios de absorção intestinal.
Os sintomas da deficiência de biotina incluem afinamento do cabelo, queda de cabelo, erupções cutâneas e unhas quebradiças — mas **a recíproca não é verdadeira**: a grande maioria das pessoas com queda de cabelo não tem deficiência de biotina.
Múltiplos ensaios clínicos randomizados descobriram que, para indivíduos saudáveis sem deficiência de biotina, a suplementação adicional não melhora significativamente a queda de cabelo.
Apenas pacientes com deficiência de biotina confirmada por exame de sangue podem se beneficiar da suplementação, sob orientação médica.
O teor de biotina em suplementos “anticaspa” vendidos no mercado frequentemente excede em muito a ingestão diária recomendada (cerca de 30 microgramas), mas o excesso é excretado na urina.
**Nunca confunda “a deficiência causa queda de cabelo” com “a suplementação previne a queda de cabelo”.**
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**Zinco**
O zinco é um cofator para centenas de enzimas no corpo humano, participando da síntese de proteínas, reparo do DNA e divisão celular, sendo crucial para o ciclo de renovação dos folículos capilares.
A deficiência grave de zinco (como em pacientes com acrodermatite enteropática) pode, de fato, levar à queda de cabelo, possivelmente acompanhada por sintomas como redução do paladar e cicatrização lenta de feridas.
No entanto, **a ingestão de zinco da maioria das pessoas é adequada**. Dietas vegetarianas de longo prazo, diarreia crônica, cirurgias no trato digestivo ou o uso de certos medicamentos (como diuréticos) podem aumentar o risco de deficiência de zinco.
Os resultados de estudos clínicos não são consistentes: alguns estudos observacionais mostram níveis séricos de zinco mais baixos em alguns pacientes com queda de cabelo (como alopecia areata), mas a relação de causa e efeito não é clara.
A suplementação de zinco pode ser benéfica para a queda de cabelo em pessoas com deficiência comprovada, mas **a suplementação excessiva de zinco (acima de 40 mg por dia) pode, por outro lado, inibir a absorção de cobre, interferir no sistema imunológico e até agravar a queda de cabelo**.
Portanto, sem a dosagem dos níveis séricos de zinco, a automedicação com altas doses de zinco traz mais malefícios do que benefícios.
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**Vitamina D**
Os receptores de vitamina D são amplamente encontrados nas células dos folículos capilares. Estudos em animais mostram que camundongos com deficiência de vitamina D apresentam crescimento capilar prejudicado.
Em estudos humanos, várias pesquisas transversais encontraram níveis séricos de vitamina D mais baixos em pacientes com alopecia areata e alopecia androgenética em comparação com controles saudáveis.
No entanto, **correlação não implica causalidade**. Níveis baixos de vitamina D podem ser mais um fenômeno concomitante à queda de cabelo (como redução da exposição ao ar livre) do que uma causa direta.
Poucos ensaios de intervenção com amostras pequenas mostraram alguma melhora em pacientes com alopecia areata com o uso tópico ou suplementação oral de vitamina D, mas as conclusões ainda carecem de evidências de alta qualidade.
Mais importante ainda, **a suplementação excessiva de vitamina D pode levar à hipercalcemia e causar danos renais**.
Recomenda-se a obtenção de vitamina D através da exposição solar e do consumo de alimentos como peixes gordurosos. A intervenção com suplementos só é necessária em caso de deficiência comprovada (nível sérico de 25-hidroxivitamina D abaixo de 20 ng/mL) e após avaliação médica.
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**Resumo e Alertas**
Para a população saudável em geral, uma dieta equilibrada geralmente fornece esses nutrientes em quantidade suficiente, não sendo necessária suplementação adicional.
Se a queda de cabelo persistir, o primeiro passo é consultar um dermatologista para determinar o tipo de alopecia (como alopecia androgenética, alopecia areata, eflúvio telógeno, etc.) e investigar possíveis causas subjacentes, como disfunção tireoidiana, anemia e doenças autoimunes.
A suplementação direcionada só é razoável quando uma deficiência específica de nutrientes é confirmada por exame de sangue e sob orientação médica.
**Nunca considere os suplementos nutricionais como uma “solução universal” para a queda de cabelo** e, menos ainda, aumente a dosagem por conta própria ao não ver resultados a curto prazo.
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**Apenas para referência, não constitui aconselhamento médico.**